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Religiões no Brasil

O Brasil é um país religiosamente diverso, com tendência de tolerância e mobilidade entre as religiões. A população brasileira é predominantemente católica devido à herança religiosa dos portugueses. Da África vieram práticas de povos anteriormente escravizados, que sobreviveram à opressão dos colonizadores e deram origem às religiões afro-brasileiras.

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Na segunda metade do século XIX começa a ser divulgado o espiritismo no Brasil, que hoje é o país com maior número de espíritas no mundo. Nas últimas décadas a religião protestante tem crescido bastante em adeptos, alcançando parcela bastante significativa da população. Do mesmo modo aumentam aqueles que declaram não ter uma religião, grupo superado em número apenas pelos católicos e protestantes.

Muitos praticantes de religiões afro-brasileiras, assim como alguns espíritas, também se denominam católicos e seguem ritos da Igreja Católica. De forma similar, muitos espíritas afirmam ser cristãos apesar de não aceitarem aspectos importantes do cristianismo como o valor do sacrifício de Jesus para a salvação dos homens. Esse tipo de tolerância com o sincretismo é um traço histórico peculiar da religiosidade no país.

Seguem descrições das principais correntes religiosas brasileiras, ordenadas pela porcentagem de integrantes de acordo com o recenseamento demográfico do IBGE em 2000:

A principal religião no Brasil desde o século XVI tem sido o Cristianismo, e, predominantemente a Igreja Católica Romana. Ela foi introduzida por missionários que acompanharam os exploradores e colonizadores portugueses nas terras do Brasil.

O Brasil é considerado o maior país católico no mundo, com aproximadamente 74 por cento de sua população declarada como católica.

Algumas tradições populares do catolicismo no Brasil incluem as peregrinações à Nossa Senhora Aparecida, no lugar onde a santa fez sua aparição na cidade de Aparecida do Norte, localizada a 168 km da capital de São Paulo, e acabou por tornar-se a Padroeira do Brasil. Outros festivais importantes incluem Círio de Nazaré em Belém do Pará e a Festa do Divino no Brasil central.

No transcorrer do século XX, foi perceptível uma diminuição no interesse em formas tradicionais de religiosidade. Um reflexo disso é o grande número dos chamados católicos não-praticantes. Esses católicos muitas vezes discordam dos ensinamentos morais da Igreja quando estes não estão em harmonia com tendências do mundo contemporâneo como o relativismo moral e a liberalidade sexual. No censo IBGE de 2000, 40% dos que responderam ser católicos diziam ser "não-praticantes"; estima-se que somente 20% da população brasileira freqüente a missa.

Na hierarquia católica brasileira estão presentes hoje três vertentes principais: o clero tradicionalista, mais conservador e defensor da ortodoxia; os remanescentes da Teologia da Libertação, que desde a década de 1970 tem formado uma espécie de esquerda eclesiástica; e os adeptos da Renovação Carismática, o movimento mais recente e vigoroso.

A Renovação Carismática Católica (RCC) chegou ao Brasil no começo dos anos 70 e ganhou força em meados dos anos 90. O movimento busca dar uma nova abordagem à evangelização e renovar algumas práticas do misticismo católico, incentivando uma experiência pessoal com Deus através do Espírito Santo. Assemelha-se em certos aspectos às Igrejas Pentecostais, como no uso dos dons do Espírito Santo, na adoção de posturas que poderiam ser rotuladas como fundamentalistas e numa maior rejeição ao sincretismo religioso por parte de seus integrantes.

Com forte presença leiga, a RCC responde hoje por grande parte dos católicos praticantes do país. Uma das comunidades carismáticas mais conhecidas é a Canção Nova que possui um canal de televisão mantido por doações e é presidida pelo Padre Jonas Abib. Outro ícone da RCC no Brasil é Padre Marcelo Rossi, fenômeno de mídia e cultura de massas que surgiu no final da década de 90. Cantando e fazendo coreografias tanto em programas de televisão quanto em missas lotadas, ele se propõe a pregar a mensagem de Cristo conforme ensinada pela Igreja Católica.

Com a vinda da família-real portuguesa ao Brasil e abertura dos portos a nações amigas, através do Tratado de Comércio e Navegação comerciantes ingleses estabeleceram a Igreja Anglicana, em 1811. Seguiram a implantação de outras igrejas de imigração: Alemães trouxeram o Luteranismo em 1824, imigrantes Americanos vieram com as igrejas Batista e Metodista. Mais tarde missionários fundaram as igrejas Congregacional e a Presbiteriana, já agora voltadas ao público brasileiro. Em 1910 o Brasil receberia o Pentecostalismo, com a chegada da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus. A partir de 1950 o pentecostalismo transformou-se com a influência de movimentos de suposta cura divina e que geraram diferentes denominações tais como: Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo. Também desta época surgiram outras igrejas, que mantiveram muitas características do protestantismo histórico, mas adicionaram o fervor pentecostal, como exemplo, a Igreja Presbiteriana Renovada. A década de 1970 viu nascer o movimento neopentecostal, com igrejas que enfatizam a prosperidade, como a Igreja Universal do Reino de Deus. A partir dos anos 80 cresceram igrejas neopentecostais com foco nas classes média e alta, um discurso mais liberado quanto aos costumes e menos ênfase em manifestações pentecostais. Dentre essas se encontram a Igreja Renascer em Cristo e Igreja Evangélica Cristo Vive.

As vertentes cristãs protestantes são geralmente as únicas religiões no Brasil que estão relativamente livres de sincretismo religioso. Nas últimas décadas essas religiões vêm ganhando muitos adeptos, sendo atualmente o segundo grupo mais numeroso quando consideradas em conjunto. Essa popularidade está voltada principalmente aos grupos com traços pentecostais, mas também estão bem representadas igrejas protestantes tradicionais. As maiores denominações Protestantes são a Assembléia de Deus, a Congregação Cristã no Brasil, Igreja Batista, Luterana, Igreja Universal do Reino de Deus e a Presbiteriana. As igrejas protestantes ou evangélicas estão presentes predominantemente de Minas Gerais até o sul do país. Grandes centros de protestantes neopentecostais são Londrina e as maiores cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Apesar de este ser um país predominantemente religioso, brasileiros somando 7,4% da população consideram-se ateus, agnósticos, ou apenas sem religião. Dentre todo o espectro religioso, apenas os católicos e os evangélicos superam em número os que escolheram nenhuma religião para seguir, ficando estes um pouco acima da média mundial de 5%.

O Espiritismo é uma das religiões que mais tem crescido no Brasil. Em 2000, o Brasil concentrava 2,3 milhões de espíritas. Em 2005, estimava-se a existência de 10 milhões de espíritas no mundo inteiro (Encyclopaedia Britannica). Desse total, aproximadamente três milhões vivem no Brasil, constituindo-se a maior nação espírita do planeta. Estima-se, porém, que o número de simpatizantes no Brasil gire em torno de 20 milhões.

Como doutrina filosófica, o Espiritismo foi sistematizado pelo pedagogo francês Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, publicado em 18 de abril de 1857. No Brasil, contudo, houve uma forte ressignificação das idéias espíritas, que foram carregadas de um viés muito mais religioso do que o existente na Europa. Foi dentro dessa perspectiva que o espiritismo foi amplamente divulgado no Brasil, ainda na segunda metade do século XIX, atraindo principalmente a classe média. Em setembro de 1865, em Salvador, Bahia, foi criado o "Grupo Familiar do Espiritismo", o primeiro Centro Espírita Brasileiro. Em 1873, fundou-se a "Sociedade de Estudos Espíritas", com o lema "Sem caridade não há salvação; sem caridade não há verdadeiro espírita". Esse grupo dedicou-se em traduzir para o português as obras de Kardec, como "O Livro dos Espíritos", "O Livro dos Médiuns", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "O Céu e o Inferno" e "A Gênese" .

É neste contexto que Adolfo Bezerra de Menezes adere à doutrina espírita, tornando-se um dos maiores expoentes do espiritismo do país. Bezerra de Menezes foi presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB) por duas gestões. A FEB foi fundada em janeiro de 1884, pelo Sr. Elias da Silva, com a finalidade de unificar o pensamento espírita no Brasil.

No dia 02 de abril de 1910 nasce Francisco Cândido Xavier, conhecido simplesmente como Chico Xavier. Aos 5 anos de idade, Chico clamou conversar com o espírito de sua mãe. Humanitário, o médium foi indicado duas vezes ao prêmio Nobel da Paz. Responsável direto pelo grande número de adeptos que a religião conseguiu no Brasil, Chico Xavier é reconhecido mundialmente pela comunidade espírita. Os mais de 400 livros psicografados por ele foram traduzidos em inúmeras línguas, entre elas o esperanto. Chico Xavier morreu em 30 de junho de 2002.

As religiões africanas com a vinda dos escravos vieram dar origem a diversas religiões, tais como o candomblé, que tem milhões de seguidores, principalmente entre a população negra, descendentes de escravos. Estão concentradas principalmente em grandes centros urbanos do Norte, como Pará e Maranhão, no Nordeste, tal como Salvador, Recife, e Alagoas, no Leste, Minas Gerais, no sudeste, no Rio de Janeiro e São Paulo, e no Rio Grande do Sul. Diferente do candomblé, que é a religião sobrevivente da África ocidental, há também a umbanda, que representa o sincretismo religioso entre o catolicismo e as crenças e ritos africanos.

As chamadas Religiões Afro-Brasileiras: o candomblé que é dividido em várias nações, e o batuque, o Xangô do Recife e o Xambá foram trazidas originalmente pelos escravos negros advindos da África para Brasil. Estes escravos cultuavam seu Deus, e as divindades chamadas Orixás, Voduns ou inkices com cantos e danças trazidos da África.

Estas religiões foram perseguidas, e acredita-se terem o poder para o bem e o mal; hoje são consideradas como religiões legais no país, e são cada vez mais bem compreendidas. Nas práticas atuais, os seguidores da umbanda deixam oferendas de alimentos, velas e flores em lugares públicos para os espíritos. Os terreiros de candomblé são discretos da vista geral, exceto em festas famosas, tais como a Festa de Iemanjá em todo o litoral brasileiro e Festa do Bonfim na Bahia. Estas religiões estão em todo o país.

O Brasil é bastante conhecido pelos ritmos alegres de sua música, como o Samba e a conhecida como MPB (música popular brasileira). Isto pode relacionar-se ao fato de que os antigos proprietários de escravos no Brasil permitiam que seus escravos continuassem sua tradição de tocar tambores (ao contrário dos proprietários de escravos dos Estados Unidos que temiam o uso dos tambores para comunicações).

Do estado da Bahia para o norte há também práticas diferentes tais como o Catimbó, Jurema, e o Tambor-de-Mina com fortes elementos indígenas. Por todo o país, mas principalmente na região da floresta amazônica, há muitos indígenas que ainda praticam a pajelança de suas tradições originais.

Em 2004, a Comissão Nacional Anti-Drogas (CONAD), atual órgão do Ministério da Justiça brasileiro, após dezoito anos de espera da comunidade daimista, reconhece a legitimidade do uso religioso da ayahuasca e a legalidade de sua prática, ver: Santo Daime.

A Igreja Ortodoxa também se faz presente no Brasil. A Catedral Metropolitana Ortodoxa, localizada em São Paulo, na Rua Vergueiro, foi inaugurada em janeiro de 1954.

Há também, principalmente em Brasília e nas capitais da Região Sudeste praticantes de religiões neo-pagãs, como Wicca e Druidismo.

As religiões Afro-Brasileiras, adicionadas ao Budismo, Xintoísmo, o Judaísmo e algumas outras, representam uma porcentagem pequena da população total do Brasil - aproximadamente 5%. O restante da população denomina-se cristão.

Fonte: Wikipedi

 

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