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Qualquer projeto tem em si um processo criativo. Popper (1997), tomando como base as ciências sociais, as ciências naturais e as artes, afirma que qualquer situação de produção de conhecimento tem em seu processo uma formulação comum. As engenharias e a arquitetura poderiam ser neste caso incluídas, já que realizam a aplicação das ciências em suas áreas de atuação e compartilham da produção do conhecimento. Para Popper, o processo criativo parte de problemas que para serem solucionados são submetidos ao método de tentativa e erro, isto é, a partir de um problema são levantadas possíveis soluções.

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Este processo é retroalimentado e guarda em si para experiências similares futuras não só as possibilidades de resolução colocadas, mas as operações realizadas e as respostas encontradas. A partir daí, é criado um banco de dados que contribui para novos processos criativos, construindo assim a experiência e o aprendizado.

Popper destaca três etapas: 1. o problema; 2. as tentativas de solução do problema (observação + banco de dados + hipóteses, conjecturas, teorias); 3. a eliminação das soluções erradas / seleção da solução correta (avaliação crítica).

O desenvolvimento e utilização de ferramentas computadorizadas de projeto vêm de encontro às necessidades de resolução de problemas intrínsecos ao processo projetual. A introdução do uso de sistemas CAD - Computer Aided Design - que em arquitetura remonta aos anos 70, e sua disseminação para a quase totalidade dos projetos arquitetônicos realizados atualmente, aponta a crescente necessidade de automação das etapas de projeto, mas exige que se lance um olhar crítico para o modo convencional de utilização das ferramentas computadorizadas em projetos arquitetônicos.

2.1 CAD em arquitetura e CAD/CAE/CAM em engenharia mecânica – uma breve comparação Um projeto arquitetônico é normalmente dividido em etapas conforme o grau de aprofundamento do problema, o que implica um percurso que se inicia em associações criativas e livres e se direciona para definições com maior precisão material-dimensional.

Um projeto pode ser entendido como um conjunto de simulações que mapeiam respostas para problemas colocados, noção que pede a maior aproximação possível do problema através do uso de ferramentas- ambientes que vislumbrem o ambiente de ação do objeto a criar. Tradicionalmente, o projeto arquitetônico começa pelo croqui. Do desenho manual, transfere-se os dados para o computador - desenhos em planta, corte, fachada – no qual as dimensões podem ser melhor definidas e o processo de representação torna-se mais veloz. Nestes casos, o computador passa a ser um meio corroborador da criação realizada anteriormente e acelerador da representação - o que capitaliza o tempo de criação. Na seqüência, como resultado dos desenhos-projeções 2D tem-se o objeto 3D.

A chamada maquete eletrônica é resultado do espessamento de uma das projeções, normalmente a planta, sendo para Pellegrino (1999) menos
do que um objeto em 3D, um objeto 2,5D, projetado em duas dimensões e que recebe uma extrusão para ganhar o espaço tridimensional. Além de perder a riqueza de sua totalidade como design, deixa de ser simulação a priori e se torna representação posterior do projeto.

As continuidades entre simulação e objeto real devem passar pelo domínio do que seria o objeto final em sua complexidade, tanto pela manipulação das três dimensões quanto pelo conhecimento e controle prévio das interferências a que estará sujeito e as que produzirá em seu ambiente de destino. Para Bahia e Lara (1998), as continuidades entre o modelo de estudo e o objeto arquitetônico se evidenciam, além do compartilhamento das três dimensões - síntese formal do objeto -, na possibilidade de apreensão espacial, não apenas como espaço geométrico que responde a esforços físicos, mas como espaço vivenciável, pertencente a um meio sócio-cultural.


Análise existencial do objeto


As simulações a partir de modelos, que tem os desenhos-projeção como resultado, trazem para a arquitetura a efetiva possibilidade de experimentação no processo de projeto. A simulação-criação está no cerne das possibilidades colocadas pela computação gráfica que proporciona a virtualização e manipulação de objetos 3D. O objeto modelado pode receber as alterações necessárias e ser visualizado por rotação dinâmica em tempo real.

Ferramentas avançadas de desenho (CAD) associadas a ferramentas de engenharia (CAE) e manufatura (CAM) utilizadas normalmente em projeto mecânico partem da criação do modelo (Part) e da sua inserção em um conjunto maior de objetos (Assembly) para a simulação de seu comportamento em interface com outras ferramentas. Os desenhos-projeções (Drawing) são apenas documentação do projeto.

Em engenharia mecânica, a busca da melhor resposta para o problema colocado pede um melhor domínio do objeto projetado já nas primeiras etapas de projeto para viabilizar decisões e possíveis alterações com menor impacto no próprio processo; associados ao CAD 3D, são comuns os métodos de análise de esforços internos e externos (elementos finitos etc), e confecção de protótipos (protótipos virtuais e prototipagem rápida) que incrementam a simulação do objeto a ser construído.

O projeto arquitetônico em CAD 2D somado ao distanciamento normalmente existente entre os processos de projeto e de produção fazem perdurar a fragmentação e a falta de domínio do processo, sendo comuns "acertos realizados em obra". Se há, no Brasil, um distanciamento tecnológico entre as duas etapas, também há ainda um distanciamento metodológico que não estabelece relações de correspondência entre ações de projeto e ações de produção-construção.

Em sistemas CAD para engenharia mecânica, os chamados features são ações de projeto - como furos, por exemplo - que são associadas às mesmas ações em produção, correspondendo a elas um momento na seqüência de ações, uma máquina responsável pela operação, etc.

Esta seqüência de ações de projeto é armazenada numa árvore de dados chamada model tree que conecta as operações projetuais que passam a ser interdependentes.

É certo que as inovações tecnológicas na produção de arquitetura, como novos materiais e métodos construtivos favorecem inovações no projeto arquitetônico, e, ainda mais, a partir de inovações tecnológicas no processo de projeto (CAD/CAM, prototipagens, análises), são possíveis pesquisas para inovações na produção.

Se projeto e produção podem estar definitivamente conectados tanto no projeto de componentes e do produto quanto no projeto da produção, por meio da revolução informacional é disponibilizado ao projeto arquitetônico a capacidade de responder de maneira integral às demandas sociais. As demandas por quantidade/qualidade, tempo/custo passam a ter melhor resposta a partir da pesquisa e desenvolvimento de novos sistemas construtivos pré-fabricados, permitindo a ampliação dos catálogos e variabilidade de conexões e produtos finais.

As demandas por originalidade/identidade/uso de objetos não seriais associada à qualidade/tempo/custo ganham maior liberdade de proposição aliada a maior controle de suas variáveis, inexistindo partes do projeto sem estudo.

fonte: http://www.eesc.sc.usp.br/sap/projetar/files/A038.pdf

 

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