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construção civil

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Diferentemente das atividades próprias da indústria de transformação, na qual as matérias-primas são convertidas em produtos novos, as atividades construtivas ocupam-se basicamente da montagem e adaptação de produtos acabados ou semi-acabados.

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Construção civil ou indústria da construção é a atividade econômica que tem por objetivo a execução de obras de arquitetura e/ou engenharia, utilizando principalmente produtos intermediários e finais originados de outros setores da economia.

O desenvolvimento da indústria da construção tem grande efeito sobre quase todos os setores da economia de um país. Numerosas indústrias a suprem e, ao mesmo tempo, dela dependem para sua expansão. É extremamente importante seu papel nas economias regionais ou nacionais: de uma parte, como fonte de emprego de vastos efetivos de mão-de-obra, notadamente de trabalhadores não-especializados; de outra parte, como consumidora de enorme variedade de mercadorias produzidas nos mais diversos níveis tecnológicos (argila, areia, pedras, cal, tijolos, telhas, madeiras, esquadrias de madeira e metálicas, cimento, ferro e aço laminados, estruturas metálicas, azulejos e ladrilhos, louças sanitárias, asfalto).

Os investimentos na indústria da construção, considerando-se os três setores em que se subdivide - construções residenciais, construções não-residenciais e obras públicas de infra-estrutura - representam parte substancial na formação bruta de capital fixo, tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento (entre quarenta e setenta por cento). Sua participação no produto nacional bruto também é considerável, oscilando freqüentemente entre quatro e oito por cento.
Histórico. Na Idade Média destacou-se a construção de catedrais, que exigia intensa organização de esforços, para obtenção de mão-de-obra especializada, criação de novas técnicas, transporte de materiais e mobilização de grande número de operários. O transporte de materiais influía consideravelmente no custo da obra: as cargas de pedras, de madeira e de outras matérias-primas de construção representavam parcelas importantes do comércio regional e internacional.
Nos tempos atuais, os fatores estimulantes do desenvolvimento da construção civil foram o aumento da população urbana e o crescimento da indústria. A abertura de canais e estradas, reclamados pela revolução industrial, multiplicou e transformou a atividade de construção. Datam de então, na Europa, as empresas imobiliárias e também o aparecimento do empreiteiro de obras como figura central da construção de rodovias e ferrovias.

Durante a década de 1920 ergueram-se os primeiros arranha-céus com estrutura de aço que se tornaram símbolos do progresso dos Estados Unidos e das megalópoles de todo o mundo. Às inovações em materiais e técnicas surgidas então juntaram-se outras nascidas após a primeira guerra mundial. O concreto armado revolucionou a técnica construtiva. As clássicas fachadas de pedra ou ladrilho foram substituídas pelas de vidro, aço inoxidável, alumínio, metais esmaltados etc. Tornou-se de uso corrente máquinas para desmontar, aplainar e secar o solo, preparar as estruturas, instalar tubulações ou realizar funções semelhantes. Especialmente em edifícios é hoje comum o uso de peças pré-fabricadas. Novos conceitos arquitetônicos de recuperação do terreno entre os pilotis ou colunas do pavimento térreo, permitindo seu aproveitamento como terraços e jardins suspensos, exigiram tipos diversos de impermeabilização à base de betume e feltro e de lâminas metálicas, em que materiais especializados e o isolamento térmico tomaram lugar destacado.

Aspectos econômicos da construção. A indústria da construção civil congrega uma grande variedade de empresas, que se diferenciam tanto pelo porte como pela atividade que desempenham. Essa indústria compreende dois grandes setores: o imobiliário e o de infra-estrutura e engenharia pesada. Para fins de análise econômica, costuma-se decompor a indústria da construção civil em cinco grandes segmentos: vias de transporte (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e metrô); obras hidráulicas (principalmente hidrelétricas e obras de saneamento); edificações; obras e serviços especiais; e outras obras. O setor imobiliário reúne as empresas públicas e privadas ligadas ao segmento edificações, basicamente as construtoras. O setor de infra-estrutura e engenharia pesada compreende os outros quatro segmentos.

Antes de se iniciar qualquer construção é necessário tomar uma série de decisões, como escolha do local apropriado, planta da edificação, estudo da viabilidade econômica e cronograma. Todos esses elementos são importantes e nenhum pode ser considerado isoladamente. Um dos pontos cruciais consiste em saber a que uso a construção se destina. No caso de edifícios comerciais e lojas de departamentos, supermercados etc., em geral há necessidade de prévios estudos de mercado. Em seguida procura-se determinar qual será a utilização geral do prédio e a de cada uma de suas áreas. No caso de um grande centro comercial, por exemplo, há áreas destinadas às lojas, áreas de circulação, estacionamento, segurança etc. Um projeto de escola deve considerar a clientela potencial e as diversas áreas segundo sua ocupação: salas de aula, ginásio esportivo, biblioteca, cantina etc.
A localização do imóvel é também da maior relevância. Nesse particular devem ser considerados o preço do terreno, os impostos e taxas que incidirão sobre o imóvel, disponibilidade de recursos próximos, abastecimento de água e luz, esgotos, facilidade de transporte, zoneamento de ocupação urbana (residencial, comercial ou industrial) e proximidade do mercado, em caso de edifícios comerciais. Um supermercado, por exemplo, precisa saber com segurança a que distância se localiza seu mercado potencial. Já num projeto de edifício de escritórios, é importante determinar a que distância passam as principais linhas de transporte. À medida que se levantam esses dados, vão surgindo também as vantagens e desvantagens da localização, que, sopesadas, indicarão a localização mais, dentre as que estão em estudo.

A finalidade do projeto de arquitetura é dar a melhor solução possível dentro dos limites do orçamento de construção. Nesse aspecto consideram-se a relação entre a área do terreno e a do imóvel, bem como a relação entre ocupantes e área construída. Em seguida é definida a planta geral e as plantas setoriais, nas quais se descreve e ilustra o lugar, os materiais a serem usados, a estrutura, o equipamento mecânico e até mesmo a mobília. Aqui consideram-se os materiais estruturais -- madeira, aço ou concreto -- a localização e a capacidade do sistema de ar condicionado, os elevadores e escadas rolantes, a iluminação, o encanamento, o sistema acústico e as cores mais indicadas para pintura.
Traçadas essas linhas mais gerais é preciso chegar a especificações mais precisas: qualidade e quantidade de material, dimensões de cada área, acabamento das paredes e do teto, portas e janelas, pontos de luz e equipamentos de cozinha, banheiro etc. Essas especificações são incorporadas ao contrato de construção, entre outras razões porque isso facilita a contratação de serviços a terceiros, como a instalação de equipamentos especiais. Uma vez assinado o contrato, inicia-se a construção, dentro de um cronograma de obra e de custos. Todo esse trabalho preliminar é capitaneado pelo arquiteto mas conta com a participação de diversos outros técnicos, como engenheiros mecânicos, especialistas em custos e técnicos em iluminação, refrigeração e acústica. Uma das primeiras fases da construção é a preparação da documentação necessária e dos contratos entre as várias partes, a fim de garantir a conclusão da obra.

A utilização dos materiais apropriados ao tipo de construção -- considerando-se as especificações técnicas do projeto e o orçamento disponível -- é de capital importância. Há os materiais ditos estruturais -- os mais resistentes, em geral elaborados em elementos de grandes dimensões e destinados a suportar a armação do prédio --, e os que formam as paredes e tetos, as instalações hidráulicas e elétricas, o revestimento e o acabamento do prédio. No primeiro caso estão o cimento e o concreto armado, o aço e o ferro, os diversos tipos de pedra, areia, madeira etc. Todos esses materiais têm em comum a função de servir de suporte aos do segundo grupo. Estes são os tijolos e telhas, as esquadrias de madeira e alumínio, as louças sanitárias, o aço inoxidável, o couro, o latão, o chumbo, o vidro, os têxteis etc. Alguns desses materiais têm função de proteção e servem para assegurar a longevidade da construção.


Fonte: ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda

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