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Renascimento. A época não se destaca propriamente pelas grandes construções materiais, mas pelo extraordinário alargamento dos horizontes culturais e científicos. No Renascimento a engenharia ganhou seu caráter sistemático e sua base científica. À frente dessa nova perspectiva está o trabalho de Leonardo da Vinci, que, em meio a outras atividades, exerceu a de engenheiro civil e militar. Seu método de pesquisa deve ser encarado como o marco inicial da engenharia científica.

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Leonardo foi também o pioneiro da análise estrutural, em sua tentativa de utilizar noções elementares da estática para a avaliação das forças e reações internas de um vigamento. Outro gênio precursor da engenharia moderna foi Galileu Galilei, que estudou a resistência dos materiais e a flexão das vigas.
No século XVII os impulsos de desenvolvimento da matemática e da física ampliaram cada vez mais a base dos conhecimentos de que a engenharia propriamente dita vai se utilizar. Entre os muitos marcos dessa época estão a obra de Bonaventura Cavalieri nos campos da geometria e da trigonometria; a criação da geometria analítica por Descartes (1637) e da máquina de calcular (1642) por Pascal; a lei de Robert Hooke (1653-1703) sobre a elasticidade dos corpos; a descoberta do cálculo das probabilidades por Pascal e Pierre de Fermat (1601-1665); do cálculo diferencial, integral e infinitesimal, por Newton e Leibniz.

Outros predecessores. Nos quase seis mil anos que vão da formação dos primeiros impérios da antiguidade até o fim do Renascimento europeu, vários outros povos e civilizações realizaram importantes obras de engenharia pré-científica. Destaca-se a experiência hindu, a partir do século II a.C., e especialmente depois do século XI, assim como a chinesa do século III a.C., quando se construiu excelente sistema de irrigação e se iniciou a grande muralha, que chegou a ter 2.400km de extensão. Há ainda as realizações dos impérios da América pré-colombiana. Os incas, particularmente, de 500 a 1000 de nossa era, construíram enormes edificações, estradas, pontes, terraços para fins agrícolas, assim como os maias, entre 300 e 900 da era cristã, e os astecas, nos séculos XIV e XV.
Engenharia moderna
Em 1747, a moderna engenharia foi reconhecida pela primeira vez ao ser fundada na França a École Nacionale de Ponts et Chaussées. Nessa escola foram compilados e difundidos os conhecimentos da época sobre técnicas de construção e analisados os avanços decisivos da tecnologia de materiais, que na transição dos séculos XVIII e XIX, foram a raiz da revolução industrial. Destacam-se contribuições tais como a máquina a vapor do engenheiro escocês James Watt, as radicais modificações na produção têxtil devidas à mecanização da indústria e as primeiras experiências sobre eletricidade.
Na mediação promovida pela engenharia entre a super e a infra-estrutura de uma sociedade, o traço de união objetivo é a matéria-prima incorporada no fluxo produtivo. Os materiais da engenharia estão sempre ligados aos progressos de sua utilização. Sob esse aspecto, a introdução do ferro e do carvão marca o início da revolução industrial.
A partir de 1860 aproximadamente, tem início o período conhecido como segunda revolução industrial, quando se torna possível a expansão e o barateamento da produção de aço. Outro fator determinante dos progressos nessa etapa foi o petróleo, ao lado dos metais leves. A engenharia das construções dinâmicas (a das máquinas e veículos) passou a atuar tanto quanto a das construções estáticas. Surgiram, então, algumas especializações: engenharia mecânica, química, de mineração, de pontes e estradas.
Durante o século XIX e nas primeiras décadas do XX a engenharia já contava com grandes personalidades, como os franceses Ferdinand de Lesseps, inspirador e projetista do canal de Suez, e Alexandre-Gustave Eiffel, criador da torre parisiense que tem seu nome, e o americano George Washington Goethals, construtor do canal do Panamá.
No princípio do século XX, a eletricidade, os veículos automotores e o rádio proporcionam mudanças ainda maiores no quadro tecnológico e econômico, trazendo novas especializações: engenharia eletrotécnica, metalúrgica, naval. Como conseqüência da urbanização e do crescimento populacional, surgem as engenharias agronômica (para abastecimento das cidades) e hidráulica.
Outro material que introduziu grandes mudanças foi o cimento portland, patenteado em 1824 na Inglaterra, utilizado para fazer a massa de concreto. As qualidades do concreto e do ferro foram reunidas no concreto armado, que apareceu no fim do século XIX e se consagrou, ao longo do século XX, como um dos materiais indispensáveis a todas as obras de engenharia.
No final do século XX, os sucessivos e constantes avanços da pesquisa científica e a tendência à máxima racionalização das obras de engenharia determinavam um grau de complexidade das obras impensável para os que se ocupavam desse campo de atividade em meados do século. Como conseqüência, cresceu a diferenciação de disciplinas e apareceram diversos ramos ou especialidades, como as engenharias mecânica, química, elétrica, de telecomunicações, de minas, aeronáutica, de construção naval, de estradas, canais e portos etc. Novos campos do conhecimento, além disso, têm sido incorporados à engenharia, como a pesquisa nuclear e a genética.
Ensino. Nos séculos XIX e XX, no ritmo do desenvolvimento industrial, o ensino da engenharia se difundiu em rápida progressão, quer incorporado a grandes universidades já existentes, quer se exercendo em novas instituições autônomas, chamadas institutos (ou escolas) politécnicos.
De modo geral, a programação das cadeiras, até meados do século XX, organizava-se em duas etapas. Na primeira, todo o corpo discente se dedicava às mesmas disciplinas: matemática (cálculo diferencial e integral, geometria analítica e descritiva), mecânica, resistência dos materiais e desenho técnico. Na segunda, os alunos se repartiam conforme a especialização pretendida e o futuro exercício profissional. Encaminhavam-se para a engenharia de pontes e estradas, para a engenharia química ou para a da construção e manutenção de máquinas.
Guardadas as diferenças de país para país e entre graus de industrialização, da segunda guerra mundial em diante essa organização do ensino da engenharia passou por sucessivas reformulações, enquanto se transformava a estrutura econômica, a tecnologia e a ciência. A antiga segunda etapa do curso aumentou e subdividiu-se, ao mesmo tempo em que as especializações passaram a ser feitas na prática, na forma de estágios em unidades de produção ou prestação de serviços, em contato com os empresários ou diretores de empresas estatais e com o material específico da área escolhida.
Atualidade. A partir do início do século XX, o mundo civilizado passou por algumas das maiores mudanças qualitativas de sua história. A profusão de descobertas e progressos, de guerras e revoluções, acontecimentos e fenômenos alteraram radicalmente o panorama tecno-econômico, político-social e científico-cultural das maiores nações da Terra e, em conseqüência, dos países que, de um modo ou de outro, se vinculavam àqueles centros hegemônicos.
De década para década, seja mobilizada pela expansão imobiliária ou pela demanda de escoadouros (estradas, pontes, viadutos, túneis) para a crescente produção de automóveis, seja pelos complexos energéticos, represas, refinarias, estaleiros e conjuntos habitacionais que se erguem, a engenharia mais e mais se modernizou e se desdobrou. O engenheiro passou a assumir maiores encargos e maiores riscos.
Nesse contexto, engenharia e produção se tornaram cada vez mais ligadas. O sinais e rigores dessa intimidade se apresentam desde a mais simples operação econômica até os mais altos patamares do controle social e do poder político, na tecnocracia e na sociedade de massa. Mediador nas estruturas sociais contemporâneas, projetista, construtor, planejador, o engenheiro corporifica um dos desafios cruciais da humanidade em sua história presente: o de promover o bem-estar das massas, sem o sacrifício da consciência e liberdade individual do ser humano.

fonte: ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda

 

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