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Urbanismo

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urbanismo

O urbanismo é a atividade de estudo, regulação, controle e planeamento da cidade (em seu sentido mais amplo) e da urbanização. O urbanismo mostra-se, portanto, como uma ciência humana aplicada inserida no contexto de um mundo em constante crescimento demográfico e respondendo a uma forte pressão de civilização e urbanidade, enfrentando suas demandas e problemas. Numa perspectiva simplista, o urbanismo corresponde à ação de projetar e ordenar as cidades. No entanto, sob um ponto de vista mais amplo, o urbanismo pode ser entendido tanto como um conjunto de práticas ou de idéias, quanto como uma forma ideológica que visa reproduzir as condições gerais do modo de produção capitalista. Segundo este ponto de vista, atualmente tanto o Capital quanto o Estado se apropriam da prática e teoria (entendendo-os como ideologia) do urbanismo como um mecanismo gerador de lucro.

Portanto, o estudo do urbanismo deve ser uma atividade altamente multidisciplinar e complexa que dialoga principalmente com a arquitetura (em seu sentido mais comum), com a arquitetura da paisagem, com o design e com a política. Ele necessita da contribuição de áreas do conhecimento como a ecologia, geologia, ciências sociais, geografia e outras ciências.

A palavra foi usada pela primeira vez pelo engenheiro catalão Ildefons Cerdà, responsável pelo projeto de ampliação de Barcelona na década de 1860. Cerdà, durante o período, sintetizou os vários estudos sobre as cidades e seu projeto existentes em sua Teoria geral da urbanização, no qual apresentou o termo, em 1867.

urbanismo e cidade

A cidade é tida como o principal objeto de estudo do urbanismo(o que revela um dualismo), sendo muito mais do que uma aglomeração de pessoas e construções num determinado espaço territorial. É o lugar para onde converge o fluxo de capital econômico, social, financeiro, advindo de várias localidades que estabelecem com ela relações sociais, políticas e econômicas, e enfim, onde se concentram os bens de reprodução do capital e a força de trabalho. Isto demonstra a complexidade do que é a cidade. Na cidade acontecem intensas relações sociais de troca, de movimento, de poder e por isso é dinâmica. Seus espaços são dinâmicos e se transformam no decorrer do tempo em virtude de todos estes e outros fatores.

A sociedade em que vivemos tornou-se essencialmente urbana a partir do período do final do séc. XIX, pós-revolução industrial, e assim os problemas urbanos começaram a se acentuar, diante do aumento da população nas cidades decorrente do êxodo rural, em busca de oportunidades de trabalho e sem condições dignas de qualidade de vida. A partir daí várias cidades cresceram em tamanho e população e se transformaram em metrópoles, extrapolando seus limites territoriais formando conurbações (várias cidades inter relacionadas num tecido urbano contínuo). Então surgem propostas na tentativa de buscar soluções para estes problemas, com uma pretensão científica, e também se criam modelos de desenvolvimento urbano para as cidades, muitos deles utópicos a fim de se organizar os espaços da cidade, os seus territórios, suas diversas atividades. Neste contexto é que surge o urbanismo.

A partir do séc. XIX surgiram vários modelos de desenvolvimento urbano, em busca de solução para os problemas decorrentes do grande processo de urbanização das cidades européias, na tentativa de se criar a cidade ideal, tidos como teorias, que se tornaram utópicas, a exemplo das idéias de Fourier, com o falanstério ,de Howard que idealizava a Cidade-jardim, e de Tony Garnier, com a teoria da cidade industrial (CHOAY,1965). Naquela época, grandes cidades como Londres e Paris, apresentavam crescimento populacional bastante acelerado, no período da Revolução Industrial, quando grandes contingentes populacionais migravam do campo para a cidade em busca de trabalho, e então se criaram grandes aglomerados populacionais nos quais as pessoas que pertenciam à classe operária viviam em péssimas condições de vida, principalmente de higiene, muitas delas sem ter aonde morar, ou habitando em locais insalubres e desconfortáveis. Houve então a partir daí uma grande discussão em diversas áreas do conhecimento na busca por soluções para estes chamados “problemas urbanos”. Naquela época, da revolução industrial, dos movimentos sociais e dos racionalismos que emergiam, ainda não se tinha um conceito de urbanismo aprimorado, e nem o mesmo era considerado como uma área do conhecimento ou ciência de organização dos espaços urbanos, o que só acontece alguns anos depois, no início do séc. XX(CHOAY, 1965).

A observação e a reflexão sobre os problemas da cidade assumem ainda no século XIX, outras vertentes de pensamento. Uma delas seria descritiva, observando os fatos isoladamente ordenando-os de maneira quantitativa, coma aplicação da Estatística à Sociologia então nascente a fim de formular teorias de crescimento da cidade. Uma outra seria constituída por pensadores políticos e traria a polemização sobre os problemas de higiene e das grandes cidades industriais européias e norte americanas, assim como a habitação da população oriunda das classes sociais menos favorecidas. Alguns destes pensadores como Marx e Engels analisaram estes problemas dentro de uma lógica referente à ordem econômica e social para a organização do espaço urbano promovida pela industrialização não associada à lógica do desenvolvimento da economia, mas para a produção e comercialização em larga escala e a concentração do capital gerado nas classes dominantes.

O território da cidade é formado pelos fluxos de mercadorias e pessoas, sendo ela (a cidade) a configuração da estrutura social, e a materialização desta estrutura no território. As transformações no espaço urbano são fruto não só das relações intra-urbanas, mas de ralações regionais e globais, já que a cidade não é um lugar fechado em si, ela assume relações que ultrapassam a esfera local e regional, e isto exige que se tenha uma visão da cidade inserida num contexto político-econômico mais abrangente.

A cidade ideal se apresenta como fruto dos valores éticos, filosóficos e sociológicos de cada cultura e de cada época. As teorias da cidade evoluem e enriquecem, por isso é difícil saber como é a cidade ideal, já que algum tempo depois da sua definição ela já não vai corresponder às expectativas da época. Assim, o urbanismo não pode ser observado apenas sob o ponto de vista de uma técnica de estudo e intervenção física do espaço, pois quando de intervém na sua morfologia, ele necessita ser estudado e planejado conhecendo os aspectos sociológicos, filosóficos, históricos, etc. e sendo que uma cidade é resultado das diversas mudanças que ocorrem na sociedade, e que lhe impõe transformações.

Há de se entender, entretanto, que o conjunto de ações de intervenção no espaço urbano historicamente muitas vezes está voltado para a dominação e de poder político pelas elites[4], causando a segregação sócio-espacial. Assim o estudo do urbanismo merece uma abordagem crítica enquanto ciência, área de conhecimento ou instrumento de intervenção no espaço urbano[5], voltando-se principalmente para como o seu conceito é entendido no Brasil e outros países, pois se trata de uma ciência ou campo do conhecimento de grande complexidade.


3. O Surgimento do urbanismo e a formação do seu conceito

O urbanismo é considerado como uma ciência que nasceu no final do século XIX, para o estudo, a organização e intervenção no espaço urbano, como prática das transformações necessárias à realidade caótica das condições de habitação e salubridade em que viviam os habitantes de grandes cidades européias, na época da revolução industrial. Entretanto uma maior maturidade teórica só foi alcançada então no final do século XX. Como área do conhecimento autônomo pode ser considerado recente (BONNET CORRERA, 1989). Surgiu para estudar e buscar soluções para os problemas da cidade, sendo esta um espaço em transformação permanente, que, no entanto se for observada durante um curto período de tempo pode parecer estática.

Existem várias versões para o surgimento do termo “urbanismo”, porém a mais difundida é de origem francesa. Segundo Bardet (1990) este termo surgiu por volta de 1910, na França, no Bulletin de la Societé Geographique para denominar uma “nova ciência” que se diferenciava das artes urbanas anteriores por seu caráter crítico e reflexivo e, pela sua pretensão científica, sendo epistemologicamente o estudo da cidade (urbe, do latim significa cidade). Alfred Agache, um arquiteto (ou arquiteto-urbanista), se autodenomina como criador do termo, e conceitua o urbanismo como:

“Uma ciência, e uma arte e, sobretudo uma filosofia social. Entende-se por urbanismo, o conjunto de regras aplicadas ao melhoramento das edificações, do arruamento, da circulação e do descongestionamento das artérias públicas. É a remodelação, a extensão e o embelezamento de uma cidade, levados a efeito, mediante um estudo metódico da geografia humana e da topografia urbana sem descurar as soluções financeiras".

No entanto, o termo urbanismo teria sido criado em 1868, quando Cerdá escreveu a Teoria General de la Urbanización. O seu surgimento teria acontecido em 1910, quando teria sido apresentado no Congresso de Londres onde se reuniram vários dos estudiosos pioneiros no campo do urbanismo. Neste ano seria utilizado pela primeira vez o termo “urbanismo” e se realizou a primeira exposição sobre o mesmo, que teve lugar em Berlim, na Alemanha.

De acordo com o conceito de Agache, é possível perceber que o urbanismo teve, de início, uma preocupação com a composição plástica em acordo com os valores dominantes da sociedade, e que se colocava de maneira se favorecesse ao modo de vida coletivo na cidade assim como o poder das instituições, e a organização ou ordenamento da ocupação do solo, das fachadas, da segurança, e da circulação, o que pode ser observado desde a idade antiga.

O estudo, assim como a prática profissional do urbanismo, inicialmente esteve associada à Arquitetura e às belas artes (pois a Arquitetura surgiu das Belas Artes), por isto muitas vezes se dá ênfase aos aspectos construtivos e artísticos, ou estéticos, e por isto ainda se tem um entendimento vago, como campo científico e profissional. É entendido por muitos, ainda, como mero complemento da Arquitetura e do Design, voltado ao projeto do traçado urbano.

Para outros estudiosos o urbanismo traz uma noção que o abrange de forma que ele seja tão velho quanto a civilização urbana, como se o termo já existisse desde que quando o homem cria uma organização morfológica para o espaço das cidades, pois desde que surgiram as primeiras comunidades havia indícios de uma organização hierárquica de espaços de poder (a exemplo da Polis grega e a Civitas romana, na civilização antiga), ou para a defesa do território, o que nos leva a crer que o urbanismo já se praticava como ação de ordenamento do território, porém sem um caráter científico.

4. Considerações sobre a teoria e a prática do urbanismo dentro de uma abordagem histórica

Observa-se que houve grandes discussões técnico-científicas sobre o urbanismo nos CIAM´s e outros congressos internacionais realizados na primeira metade do séc. XX, quando foram discutidos muitos dos postulados básicos, seguidos posteriormente por muitos planejadores em diversas partes do mundo, principalmente no ocidente.

Em 1933, no CIAM – Congresso Internacional de Arquitetura Moderna – realizado em Atenas, se estabeleceram os princípios do “urbanismo Moderno”, e se produziu um documento que ficou conhecido como A Carta de Atenas. Este documento é fruto das reuniões do CIAM, tendo sido publicado oito anos depois, em Paris, tornando-se referência para muitos urbanistas por muitos anos, sob forte influência da corrente francesa principalmente das idéias funcionalistas de Le Corbusier (grande promotor e divulgador destas idéias), sendo a versão mais conhecida dos CIAM no mundo[7]. Existiram ainda outros congressos além dos CIAM, como o CIRPAC, que na época também discutiram o urbanismo enquanto prática profissional e científica e cujo conteúdo é muitos menos conhecido do que a Carta de Atenas, e que trazia um conteúdo diferenciado.

Desta maneira o urbanismo ainda conservou algumas das suas bases tradicionais de pensamento. É considerado ainda por muitos como de domínio dos arquitetos, que são tidos como “especialistas no assunto”, porém geralmente com base em aplicações práticas e despolitizadas segundo Choay (1965), e considerado ainda segundo muitos técnicos (arquitetos e engenheiros) uma ciência “em função de novas técnicas de construção e do estilo de vida e das necessidades próprias de homem do séc. XX”, que seriam as funções estabelecidas pela Carta de Atenas (Habitar, Circular, Trabalhar, Cultivar o corpo e o espírito), sendo esta a forma de se pensar a cidade do séc. XX, após a 2a Guerra Mundial, quando se fez a reconstrução de muitas cidades européias. Sob esta visão teórica e profissional, pioneira na prática do urbanismo, a cidade é vista como um objeto técnico, determinado e exato, sem uma atenção maior para as questões sociais, históricas e culturais que permeiam o espaço urbano.

Segundo Sampaio (2001), o urbanismo, principalmente a partir da época do chamado “Modernismo”, entre as décadas de 30 e 40, do séc. XX foi estudado e praticado de acordo com o desejo de inserção dos arquitetos na problemática urbana, numa tentativa de deslocar o discurso arquitetônico (das obras de arte) para o campo urbanístico, porém a atividade profissional ficou dividida entre o paradigma do individualismo do projeto e o paradigma do urbanismo multidisciplinar. Isto poderia ser considerado justamente a divisão de correntes entre arquitetos, ou “arquitetos-urbanistas”, que teriam uma visão mais próxima do individualismo de projeto[8], e dos urbanistas, mais preocupados com o caráter multidisciplinar na análise e busca de soluções sobre os problemas da cidade (Sampaio, 2001).

Porém muitos consideram, equivocadamente, como se o urbanismo fosse, “de fato e de direito essencialmente pertencente à tradição do saber arquitetônico” Souza (2002) baseados nas premissas de Le Corbusier (1984:4, apud.: SOUZA, 2002) que afirmou:

“(...) o urbanista nada mais é que o arquiteto. O primeiro organiza os espaços arquitetônicos, fixa o lugar e a destinação dos continentes construídos, liga todas as coisas no tempo e no espaço por meio de ma rede de circulações. E o outro, o arquiteto, ainda que interessado numa simples habitação e, nesta habitação numa mera cozinha, também constrói continentes, cria espaços, decide sobre circulações. No plano do ato criativo são um só o arquiteto e o urbanista(...)”.

O interessante é que esta premissa é usada até os dias atuais, equivocadamente, por muitos estudiosos e profissionais, quando se referem ao urbanismo, e afirmado muitas vezes como forma de ainda mantê-lo como mera extensão da Arquitetura, na teoria e na prática. De acordo com esta premissa a cidade é pensada e planejada funcionalmente como se fosse uma edificação. Assim tais premissas revelam uma preocupação normativa muito rígida e ultrapassada por desconsiderarem que as atividades podem coexistir harmoniosamente no espaço urbano, sem tanta rigidez funcional e ainda os aspectos políticos e sociais que influem na sua configuração.

Com base num documento bastante atual resultante de estudos sobre o urbanismo desenvolvidos na Europa e outros países podemos chegar à conclusão de que existe realmente uma distinção entre Arquitetura e urbanismo quanto aos elementos de estudo, de tomada de decisão, e de intervenção:

“...a composição urbana difere fundamentalmente da arquitetura pelo fato de que a “cidade” e o “edifício” não têm o mesmo ritmo temporal. Enquanto que a Arquitetura se renova rapidamente o espaço urbano em si está mais vocacionado para a longa duração. Por isso, os dados que conduzem à tomada de decisão arquitetônica ou urbana ao serem diferentes na sua essência implicam saberes diferentes capazes de organizar e utilizar esses mesmos dados(...) Igualmente devemos referir uma outra diferença que é fundamental. A escala do projeto urbano engloba “o todo”, ao passo que a escala arquitetônica corresponde ao edifício e eventualmente ao seu redor mais próximo. Desenhar o espaço urbano com as ferramentas da arquitetura é produzir um espaço formal desenraizado dos enquadramentos que referimos. Esse “todo” é a sociedade e território no seu conjunto, inscritos num passado (da memória), presente (que se vive)e futuro que se perspectiva.(...) (ULHT, 2003).

Nota-se então uma diferença entre as escalas de intervenção espacial e temporal da Arquitetura e do urbanismo, que são escalas distintas. São duas áreas do conhecimento distintas, e não uma só, mas que têm relações interdisciplinares.

Alguns autores tentam definir o urbanismo como algo que não é ciência, nem arte, mas que compreende tudo que diz respeito à vida social do homem, como indivíduo isolado e como parte da coletividade e que o mesmo é multidisciplinar, e por haver essa diversidade de campos, exige que vários profissionais trabalhem em conjunto, a fim de se chegar a uma solução não fragmentada ou que deixe de abordar alguma questão específica, de modo que o conjunto das soluções parciais conduza a uma solução complexa satisfatória[9]. Outrora, muitas vezes se coloca o termo como uma técnica de planejamento urbano, stricto sensu, que visa disciplinar e/ou ordenar o crescimento da cidade em decorrência do processo de urbanização, atendendo à demanda crescente por infra-estrutura, serviços e abastecimento, visando assim melhorar a qualidade de vida da população urbana, e a concretização desta oferta de infra-estrutura, a urbanificação, seria a medida de intervenção no espaço urbano, que deveria atingir principalmente as camadas mais carentes da sociedade.

Lacaze, em seu livro Métodos do urbanismo (LACAZE,1993) coloca que o urbanismo não pode ser considerado como uma ciência, nem tampouco como uma técnica, e o mesmo não se reduz a uma arte de desenho de formas urbanas, devendo ser estudado e analisado como um ato de poder. Nesta mesma obra, o autor citado questiona assim a cientificidade do urbanismo, com base nas experiências de intervenção no espaço urbano desenvolvidas entre as décadas de 1960 e 1990, quando afirma que o urbanismo não pode pretender ser uma ciência que baste para justificar a escolha de soluções temáticas, já que o mesmo vem sendo, desde o seu surgimento enquanto ciência ou técnica, um instrumento para a reforma urbanística, promovendo o controle social do espaço urbano, que se concebe como ordenação do espaço urbano. Mazzaroli (Op. Cit.: Mukai,1989), define urbanismo como: “(...)a ciência que se preocupa com a sistematização e desenvolvimento da cidade, buscando determinar a melhor posição das ruas, dos edifícios e obras públicas, de habitação privada, de modo que a população possa gozar de uma situação sã, cômoda e estimada(...)”

De acordo com o conceito funcionalista clássico de urbanismo, a cidade é vista como um organismo vivo, que funciona como um sistema espacial e social determinado que deveria ser ordenada de acordo com uma metodologia concreta. Daí resultaram grandes e extraordinários planos urbanísticos de (re) qualificação do espaço urbano sob o aspecto espacial-construtivo, para a renovação ou construção de cidades, planejadas dentro de modelos apriorísticos (SOUZA, 2003), muitas vezes utópicos que traziam a criação de pressupostos ditos como necessários para o desempenho das “funções urbanas” ou “funções sociais” da cidade (já citadas anteriormente) submetidas a intenções políticas, sociais ou unicamente artísticas. Estas funções estavam dispostas na famosa Carta de Atenas, como postulado universal, e deveriam ser espacialiazadas na cidade, ou seja, separadas no espaço urbano, o que seria a segregação as atividades em razão de uma suposta ordem funcional. Daí surge o urbanismo Moderno, que se baseia nas premissas que consideravam as intervenções urbanas devem ser feitas com o intuito de eliminar os “males” provenientes do processo de urbanização como se fossem “ações cirúrgicas”, em que simplesmente se eliminam os espaços degradados ou se transformam estes espaços em espaços belos e salubres. Este pensamento se adequaria a uma corrente denominada progressista (CHOAY, 1965) que desconsidera elementos sócio-culturais e históricos, na busca por uma cidade ideal, e assim se busca a reprodução do espaço para demonstrar uma imagem que talvez não seja condizente com sua realidade, bastante difundido por Le Corbusier, em várias partes do mundo como modelo de urbanismo.

Este “modelo de urbanismo”, denominado de urbanismo Moderno, sofreu muitas críticas, pelo racionalismo e o reducionismo trazido dos modelos teóricos criados (SOUZA, 2003), já que não seriam aplicáveis a qualquer parte do mundo como premissas universais para a “modernização do espaço urbano”, pois cada lugar tem suas necessidades e problemas específicos, passíveis de análise e intervenções que podem ser diferentes de um lugar para outro.

No entanto, com o seu desenvolvimento no decorrer do tempo e a ampliação das suas áreas de atuação, o urbanismo ultrapassou a visão restrita aos planos de urbanificação[12], pois inclusive existe uma infinidade de conceitos, que tratam-no de forma mais abrangente, diferente das derivações mais comuns e interpretações herdadas dos seus primeiros conceitos, vindos da primeira metade do séc. XX, que concentram a abordagem sobre os problemas urbanos decorrentes deste período (migrações campo–cidade, higiene sanitária, infra-estrutura...). Ele passou a ter então, na sua essência, a preocupação com o estudo das relações da cidade com a sociedade que nela vive, e vice–versa e da cidade inserida num contexto regional e global, tendo seu espaço como resultante de transformações sociais, políticas e econômicas do mundo capitalista, inclusive do papel do Estado e de outros agentes que atuam no espaço urbano (as empresas, as instituições e é claro a população)e abrange ainda a questão da sustentabilidade socioambiental(GRAZIA e QUEIROZ, 2001).

Desse prisma percebe-se então que urbanismo ultrapassou largamente a esfera do ordenamento morfológico, não se limitando a uma simples técnica do engenheiro ou do arquiteto. Ele passaria a abarcar o campo da comunidade, da planificação social, pois a cidade reflete o estado da sociedade e nela é expressa também uma determinada concepção do mundo, devendo basear-se sempre, em primeiro plano, na melhoria das condições de vida aos habitantes da cidade (BONET CORREA, 1989).

O pensar nestas condições de vida deve abranger fatores diversos que não são apenas técnicos e estéticos, ou estético-funconais. Isto não quer dizer que as questões técnicas e estéticas deixem de ter importância, pelo contrário, devem ser objeto de análise, pois interferem diretamente na estrutura, na paisagem, e na qualidade de vida do espaço urbano, porém não devem ser o centro da questão urbanística, numa perspectiva reducionista, como muitos consideram.

O interessante é que sob uma visão mais ampla deve-se buscar entender o urbanismo como o conjunto de ações voltadas ao planejamento, a gestão da cidade e ao ordenamento do uso e ocupação do solo urbano em várias escalas desde a escala local à regional, porém devendo haver uma abordagem multidisciplinar acerca do território (sob seus aspectos históricos, culturais, econômicos), de maneira transversal e multireferencial, envolvendo várias áreas do conhecimento e, sobretudo as questões políticas, de maneira que se possa alcançar a sustentabilidade sócio-ambiental urbana.

4.1 As diversas denominações possíveis então existentes

No Brasil, assim como em outras partes do mundo, o urbanismo recebe, às vezes, diversas denominações distintas, e um exemplo é a denominação planejamento urbano, sendo que este último se aplica ao planejamento de uma cidade individualmente abrangendo toda a ação do estado sobre o urbano e sobre o processo de urbanização, que seria o planejamento urbano latu senso, sendo uma denominação mais recente, e muitas vezes utilizada como substituição ao primeiro nas últimas décadas.

Vale ressaltar que estas confusões de terminologias relacionadas ao urbanismo e ao Planejamento Urbano seriam motivo para uma outra abordagem mais aprofundada, pois em países como Inglaterra e Estados Unidos a terminologia utilizada para denomina-lo é “ Urban Planing”, “Town Planing” ou “Urban Regional Planing”. No entanto ressalte-se que segundo Souza (2002) urbanismo e Planejamento Urbano não seriam sinônimos: “(...) nem o primeiro esgota o segundo. Infelizmente, mesmo planejadores comprometidos com um pensamento socialmente crítico, quando arquitetos, costumam, no Brasil, confundir as duas coisas (...)”.

Apesar de na maior parte das universidades brasileiras haver uma concepção “reificada” do termo, como indissociável da representação ideológica “moderna” da cidade enquanto espaço físico de transformações eminentemente estéticas, ou simplesmente como “arquitetura dos espaços urbanos” (RODRIGUES, 1986), ocorre lentamente um processo de amadurecimento de uma concepção que se aproxime de uma visão mais abrangente sobre a questão urbana numa forma multidisciplinar sobre o urbanismo. Importante discutir também a sua vinculação ou confusão com o Desenho Urbano (Urban Design), que pode ser considerado um campo específico do urbanismo (numa escala de planejamento intermediário), apesar muitos discordarem.

Em relação ao Desenho Urbano, diria com base em Kevyn Lynch (1960,1981, apud.: DEL RIO, 1990) que ele teria como objetivo principal estudar e propor soluções para o espaço urbano de acordo com a necessidade de formar categorias de análise para a produção da forma física (forma urbana) dentro de uma escala de tempo mais curta e de atuação menor do que o planejamento urbano, pois para este há uma busca por determinar a localização da infra-estrutura dos elementos estruturantes da cidade, não apenas no aspecto físico territorial, mas por leis e projetos estratégicos analisando para tanto a economia territorial que seria uma base para este planejamento. Segundo Del Rio (1990, p.52), o Desenho Urbano pode ser entendido como área específica de atuação do urbanismo, porém caberia uma “reavaliação e recuperação acadêmica” do urbanismo, visto que há um tratamento limitado neste sentido, que possa abordar a cidade de maneira multidisciplinar, com preocupação voltada para a organização ambiental e os processos sociais.

O Planejamento urbano é geralmente entendido como distinto do Desenho Urbano, sendo este comumente associado às questões de projeto na escala urbana, e aquele como sendo mais vinculado às políticas estratégicas. Já o urbanismo, para muitos englobaria o Planejamento Urbano como Desenho Urbano, pois de acordo com a maneira tradicional que se pratica o mesmo o urbanista desenvolveria então trabalhos em ambas as escalas, e por isto o urbanismo é utilizado muitas vezes como sinônimo para os dois termos.

Vale salientar também a existência do que poderia ser uma nova denominação, porém pode-se considerar uma corrente que surgiu na década de 80, após a Segunda Guerra Mundial, nos EUA, foi o chamado New Urbanism (Novo urbanismo), inspirado nos padrões utilizados antes da Segunda Guerra Mundial, que não deixou de ser conservador nas suas premissas, isto considerando seus aspectos políticos e filosóficos, Segundo Souza (2002 , p.144):

“Sua idéia-força central é, na verdade, um esforço de compatibilização de desenvolvimento urbano, em seu sentido capitalista, com certos valores "comunitários" e com uma certa escala humana, enfim quase uma espécie de síntese entre a tradição antimodernista, tão bem simbolizada por Jane Jacobs(1994) e o pragmatismo mercadófilo, e isso tudo se acrescentando o estilo pós-modernista”.

O New Urbanism pode ser considerado como voltado para um planejamento físico-territorial (clássico e elitista), mais restrito, talvez por isto é que o Congress of New Urbanism (1999), realizado nos EUA, incorra da sua abertura interdisciplinar, apesar de no fundo animado por um tipo de profissional, o “arquiteto-urbanista” (Souza, 2002). Isto demonstra como podem existir vários conceitos, estejam eles reproduzindo idéias tradicionais do passado, ou tentando renová-lo de certa maneira com estas idéias, buscando, quem sabe, trazer uma evolução teórica ou até mesmo reinventar o conceito de urbanismo dentro de uma corrente de pensamento.

Observa-se então que são criadas diversas denominações em torno do urbanismo, seja no campo científico ou técnico (profissional), o que pode ser um objeto de uma questão epistemológica muito mais aprofundada, que não há como discutir na sua totalidade num breve artigo como este.

4.2 Algumas considerações sobre o urbanismo no Brasil

Observa-se que no Brasil há o conhecimento de poucos registros de discussões mais aprofundadas sobre o urbanismo enquanto campo do conhecimento e sua epistemologia. Muitos estudiosos apenas consideram o mesmo como mero ramo complementar da Arquitetura ou “Arquitetura-urbanismo” e o reduziram muitas vezes a projetos arquitetônicos, ou de engenharia em grande escala.

Um exemplo de discussão interdisciplinar que aconteceu foi a Semana de urbanismo de 1935, em Salvador, aonde se tratou entre os temas principais, o urbanismo enquanto novo campo do conhecimento e área de atuação. Buscava-se esclarecer o que seria o urbanismo como um dos objetivos deste evento, apesar de não haver referências teóricas suficientes, então o mesmo seria conceituado pela Comissão do Plano da Cidade do Salvador como a “ciência de ordenar e harmonizar os elementos estáticos e dinâmicos da cidade”(Comissão de Planejamento da Cidade do Salvador, 1937). Dentro deste conceito o zoneamento é apontado como um dos instrumentos essenciais para o ordenamento das cidades, embora este conhecido instrumento de planejamento físico-territorial seja utilizado para organização funcional do espaço urbano favorecendo a uma segregação espacial, o que o distorce, politicamente, como instrumento de planejamento urbano.

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